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A geração Z ainda pesquisa no Google?

1 hora ago 0 0

A geração Z ainda pesquisa no Google?

Durante anos, pesquisar na internet virou praticamente sinônimo de “dar um Google”. Só que a forma como pessoas mais jovens descobrem informação começou a ficar mais fragmentada. Em vez de abrir diretamente o buscador, muita gente da geração Z pesquisa primeiro no TikTok, no Instagram, no YouTube ou até em ferramentas de inteligência artificial.

Isso criou uma narrativa forte nos últimos meses: a ideia de que os jovens abandonaram o Google.

A realidade parece mais complexa.

Dados divulgados pelo próprio Google mostram que a plataforma ultrapassou a marca de 5 trilhões de buscas anuais, enquanto a geração Z continua representando uma parcela enorme desse volume.

Ao mesmo tempo, levantamentos da YPulse publicados pela CNN Brasil indicam que apenas 46% das pessoas entre 18 e 24 anos começam pesquisas diretamente no Google, um índice menor do que em gerações anteriores.

Ou seja: a geração Z ainda pesquisa no Google. Mas já não pesquisa só nele.

Segundo Murillo Renno, CEO da Webby, a mudança mais importante talvez não esteja na plataforma escolhida, mas na expectativa criada em torno da busca. “A geração Z cresceu consumindo conteúdo rápido, visual e conversacional. Em muitos casos, ela espera que a resposta já venha contextualizada, resumida e pronta para consumo imediato”.

O TikTok começou a competir com mecanismos de busca

A mudança ficou especialmente visível em pesquisas relacionadas a:

  • restaurantes;
  • viagens;
  • moda.

Nesses temas, vídeos curtos muitas vezes parecem mais úteis para o público jovem do que páginas tradicionais de resultado.

O motivo não é apenas formato. Existe também uma questão de percepção.

Muitos usuários interpretam conteúdos publicados por creators como experiências mais próximas do cotidiano do que textos institucionais ou resultados patrocinados. Em vez de procurar “melhor cafeteria em São Paulo”, parte da geração Z prefere assistir alguém mostrando a experiência em vídeo.

Isso ajuda a explicar por que o próprio Google começou a reorganizar sua busca nos últimos anos, incorporando mais vídeos, respostas visuais e recursos baseados em IA.

O comportamento de busca ficou mais conversacional

Outro ponto importante é que a inteligência artificial começou a alterar a forma como pessoas pesquisam.

Antes, o usuário digitava palavras-chave isoladas:
“melhor notebook 2026”.

Agora, muita gente faz perguntas completas:
“qual notebook vale mais a pena para estudar, editar vídeo e durar bastante tempo?”

Essa mudança parece simples. Mas ela altera toda a lógica da busca.

Ferramentas conversacionais acostumaram usuários a esperar respostas:

  • rápidas;
  • resumidas;
  • interpretadas;
  • contextualizadas.

Em vários casos, a pesquisa deixou de funcionar apenas como navegação entre links. Ela começou a funcionar como conversa.

Isso não significa que o Google perdeu relevância. Significa que o comportamento digital ficou muito menos linear.

O Google continua dominante, mas a disputa mudou

Apesar das discussões sobre TikTok e IA, o Google ainda concentra a maior parte das buscas globais. O problema é que o mercado deixou de enxergar busca apenas como mecanismo tradicional.

Hoje, plataformas diferentes cumprem funções diferentes:

  • TikTok ajuda descoberta;
  • Instagram reforça validação;
  • YouTube aprofunda pesquisa;
  • IA acelera respostas;
  • Google organiza intenção mais ampla.

O consumidor circula entre todos esses ambientes.

Em muitos casos, a decisão começa em uma plataforma e termina em outra. Uma pessoa pode descobrir um produto no TikTok, pesquisar avaliações no Google e finalizar compra depois de assistir vídeos no YouTube.

Isso começou a impactar diretamente estratégias digitais.

Empresas perceberam que presença digital precisa funcionar em múltiplos ambientes

A mudança de comportamento da geração Z pressionou empresas a reorganizar conteúdo, comunicação e presença institucional.

Em vez de pensar apenas em ranqueamento tradicional, marcas começaram a estruturar presença digital considerando:

  • busca;
  • vídeo curto;
  • conteúdo conversacional.

Em cidades como Sorocaba, esse comportamento começou a impactar até empresas regionais. Parte dos negócios passou a investir mais em estrutura própria e projetos de criação de sites em Sorocaba porque percebeu que o consumidor continua pesquisando antes da compra, mesmo quando descobre a marca em redes sociais ou ferramentas de IA.

O site deixou de funcionar apenas como vitrine institucional. Em muitos casos, virou ponto de validação depois que a descoberta acontece em outro canal.

A discussão talvez esteja sendo feita da maneira errada

A geração Z não abandonou o Google completamente. O que aconteceu foi uma fragmentação da busca.

O usuário jovem já não depende de um único lugar para descobrir informação. Ele alterna entre plataformas dependendo do tipo de resposta que espera encontrar.

Quando quer profundidade, pesquisa de forma mais ampla. Quando quer rapidez, abre TikTok ou IA. Quando procura validação, verifica comentários, vídeos e avaliações.

Isso muda bastante a internet.

Durante décadas, o Google funcionou quase como porta principal de entrada para informação online. Agora, a busca começou a se espalhar por múltiplos ambientes ao mesmo tempo. E empresas que ainda tratam presença digital como algo concentrado em um único canal começaram a sentir essa mudança primeiro.